Linha do Tua no Trainz: Tua-Tralhariz #1

No passado mês de Novembro de 2018 foi iniciado um ambicioso projecto de revisão de todo o trabalho feito no troço Tua - Tralhariz. Esse projecto esteve parado – início de ano muito, muito complicado… - mas foi agora retomado com ânimo redobrado!


O trabalho realizado já em Novembro de 2018.


Isto incluiu primeiramente a correcção das pendentes, pois graças à aquisição do valiosíssimo documento do Perfil Longitudinal da Linha do Tua foi possível perceber imediatamente que estas não estavam certas. Quando todo o projecto da Linha do Tua no Trainz foi iniciado lá longe em 2009/2010, não havia as ferramentas em quantidade ou qualidade que pudessem garantir esses valores, que foram sendo feitos com o rigor possível de olhar para um mapa militar e adivinhar mais ou menos as altimetrias, estação a estação... No caso deste troço específico, estava feito apenas uma pendente desde o Tua até ao viaduto das Presas, e outro desde o túnel das Presas até Tralhariz. Mas a Linha do Tua é uma verdadeira montanha-russa!!!


Conjunto de pendentes do troço Tua - Tralhariz

Porém, com o esforço de corrigir as pendentes da via tão reais quanto possível, foi inevitável "estragar" todo o ambiente imediatamente próximo a ela. Por "estragar" entenda-se obviamente que todos os muros de sustentação, taludes, obras de arte e passagens de nível deixaram de estar à altitude correcta, obrigando a refazer tudo um a um. E nada deu tanto trabalho quanto refazer a passagem superior do PK 0,807, com os seus milhentos splines de linha, estrada, muros e taludes, tudo concentrado num pequeno espaço!


A notória diferença de altitude resultante da correcção de pendentes, junto ao apeadeiro de Tralhariz.

Refazer a primeira passagem superior foi um desafio...

Apesar do volume de trabalho, este foi um excelente percalço para o projecto! Graças também à introdução da grelha de 5 x 5 metros - no início do projecto só existia a grelha de 10 x 10 metros, menos flexível - foi possível por exemplo (e finalmente, pois não consegui arranjar qualquer solução viável até então) criar a primeira trincheira da Linha do Tua, logo ao PK 0,500.


Graças à grelha de 5 x 5 metros, foi possível recriar a primeira trincheira!

Com o avançar deste trabalho, foi possível ainda perceber que o próprio traçado tinha erros, de dois tipos sobretudo:

  • Algumas pequenas rectas imperceptíveis nas imagens de satélite não tinham sido feitas (casos do PK 1,000 e do PK 2,600);

  • Algumas curvas estavam "quebradas" (sobretudo nos PK 2,400 e 2,700).


Para corrigir este problema foi preciosa a ajuda em conjunto do Perfil Longitudinal da Linha do Tua, mas também do vídeo da viagem integral entre o Tua e Mirandela, datado de 2008 (mesmo a tempo...) e da autoria do Fernando Liberato. Note-se que por curvas "quebradas" refiro-me a curvas que, pela sua dimensão, estavam feitas com vários segmentos de linha, os quais, ao não estarem bem alinhados entre si, faziam com que à passagem de um comboio este pareça que vai a fazer e a desfazer curvas dentro da própria curva, ficando assim um efeito pouco vistoso e nada realista.


A solução foi eliminar pontos de união intermédios, fazendo com que toda a curva fosse feita por um só segmento, deixando a curva perfeitamente desenhada. Esta solução porém não é possível de ser feita para todas as curvas, pois naquelas com um maior comprimento e raio mais fechado que aquele que o próprio Trainz desenha automaticamente, foi necessário criar pelo menos um segmento intermédio para alinhar a curva com a realidade.


Nesta curva do PK 4,100 ao 4,200, sem um ponto de ligação intermédio a curva ficaria mais para dentro do que na realidade.

E se já estavam a desconfiar de mais uma correcção, acertaram: ao reperfilar o traçado isso afecta os pontos quilométricos e hectométricos, que tiveram de ser todos eles também revistos, revelando também que, nos pontos onde não foi revisto o traçado, também havia ainda assim erros antigos de medição. Anteriormente, era usada a ferramenta da régua, que só funciona se o terreno estiver todo nivelado (a linha não pode estar "no ar", em cima de um spline ou uma ponte, por exemplo), e nas curvas obrigava a usar pequenos segmentos de régua... Hoje em dia, utilizo um consist que simula segmentos de 20 metros de comprimento (com 5 "carruagens" destas, fica medido um comprimento exacto de 100 metros, esteja a linha como estiver!).


O caso mais notável nestas correcções foi descobrir que o túnel das Presas estava demasiado comprido: com este consist, e graças ao facto do marco do PK 1,600 ficar exactamente à saída do túnel, foi possível corrigir a sua localização.


Saída do túnel das Presas, precisamente ao PK 1,600. O consist que actua como régua foi decisivo nesta correcção.

Terminando o capítulo das pendentes - que deu água pela barba, com correcção atrás de correcção - houve uma solução de recurso para a zona das Presas. Acontece que desde perto do PK 0,900 até ao túnel das Presas, a pendente é de 1,6%; dá para simular esta pendente até à entrada do túnel sem problemas, mas o objecto utilizado para o viaduto das Presas não permite uma altitude diferente de uma ponta à outra, o que deixaria a linha a flutuar no ar. Assim, a linha na ponte fica com um desnível nulo, e para compensar essa pendente foi aplicada dentro do túnel (que na realidade tem desnível nulo). Não se pode ter tudo!


Túnel das Presas: a inclinação dentro do túnel.

Com toda esta trabalheira estão a ser também introduzidos três pequenos grandes "mimos":

  • Revisão do estado da via

Por defeito o valor é de 50, numa escala de 0 a 100, em que 0 é uma via em péssimo estado, e 100 em perfeitíssimo estado, o que simula o balanço do material circulante. O valor de 50 já é de si um valor exagerado, provocando balanços irreais. Este valor está a ser corrigido, para já, para 80. Se mesmo assim os balanços forem demasiados ou grandes demais, tentarei o valor de 90.


  • Simulação de relevé (fila alta e fila baixa)

Com um pouco de pesquisa foi possível calcular os parâmetros necessários para introduzir este belíssimo efeito, que aproxima de forma bastante enriquecedora a simulação da realidade. Estes parâmetros devem ser introduzidas no ponto de união entre segmentos, e foram calculados graças a uma ferramenta própria, com especificações para via métrica e uma velocidade máxima de 60 km/h. Esta é a Velocidade Máxima Admissível que propus para este projecto da Linha do Tua, baseado no facto de, na realidade, ser muito fácil adaptar a Linha do Tua para este patamar, graças à correcção de um número reduzidíssimo de curvas (em média 1 curva apenas entre cada estação, e entre o Cachão e Mirandela nem seria preciso corrigir curva nenhuma!).

Devo dizer que estou a adorar ver este efeito à passagem dos comboios!


Efeito de inclinação da via: espetacular!
  • Juntas de carril e solavancos (Em fase de testes!)


Mais um belo efeito possível de simular com mais ou menos rigor. Ainda estou a efectuar experiências, mas existe um objecto de via standard do próprio Trainz que simula solavancos no material circulante. Ao colocar este objecto por exemplo na cróxima do Aparelho de Mudança de Via (cróxima é aquele triângulo onde se unem os carris das duas direcções possíveis, a meio do AMV), ou no local onde se colocar juntas de carris, este vai fazer com que o material circulante dê um solavanco à sua passagem.

Neste ponto, ainda não defini a que intervalo colocar as juntas de carris na Linha do Tua (que eram originalmente intervalos muito curtos, uma vez que foram utilizadas barras curtas), que valores introduzir para simular um solavanco mais ou menos forte, e se os solavancos não vão ficar muito desfasados do som da via - ou seja, se o som der o característico PAM-PAM muito afastado do local onde estiver a junta, deverá ficar um efeito esquisito. Logo veremos!


O que se segue?


O cenário junto à via já foi mais ou menos corrigido desde o Tua até às Presas - necessita ainda alguma afinação, mas no geral está muito próximo ao que ficará. Os postes de telefone e sinalização da via também já estão concluídos, e os pontos quilométricos e hectométricos já estão devidamente colocados desde o PK 0,000 até Tralhariz.


Portanto, segue-se nas próximas sessões a edição do cenário junto à via desde o túnel das Presas até Tralhariz, colocando os muros de suporte, recriando as trincheiras, e também recolocando os postes de telefone, os quais seguem uma "ordem" caótica de distâncias diferentes entre si, e ora aqui colocados ao mesmo nível da plataforma da via, ora ali pendurados no alto de escarpas, ora ainda colocados sem poste e cravados nas paredes rochosas.


Viaduto das Presas: postes de telefone.

Só depois de tudo isto feito é que virá a vegetação, e também a edição do próprio rio Tua, que ainda permanece uma incógnita quanto à simulação mais realista dos próprios rápidos e do borbulhar das águas nas fragas. Existiam dois splines que simulavam muito bem este efeito no Trainz 2010, mas quando migrei para o TANE esses splines deixaram de funcionar.


Apenas o spline curvo continua activo...

Entretanto será feito também um grande upgrade à minha versão do TransDEM, ferramenta que tornou possível simular todo o terreno real no Trainz, e transportar mapas de satélite para a edição. O que se pretende é criar mapas 3D (o que tenho agora são objectos planos, que têm de ser subidos/descidos constantemente durante a edição), mas também pintar automaticamente o próprio terreno com as cores reais, ajudando de forma definitiva a criar um cenário incrível no Trainz. Provavelmente estas cores terão de ser corrigidas no espaço mais próximo à linha (de cima tudo parece mais verde, graças à copa das árvores, mas o terreno por baixo destas não o é, criando aqui então um desfasamento). Mas com a distância isto deverá ajudar a criar um horizonte praticamente igual ao da realidade - espero!


Note-se que o enfoque da edição está concentrado sempre junto à via, diminuindo drasticamente a necessidade de "preciosismos" quanto mais nos afastarmos desta.


Saudações trainzeiras!

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